sou a primeira universitária da família (e sim, já me arrependi e voltado a arrepender)
Nunca pensei que ia sentar pra escrever algo assim, mas aqui estou. M/33, Salvador, filha de casal que nunca ultrapassou a alfabetização, primeira geração de universitários e, na real, uma bola constante de ansiedade e retrospectiva.
Pra começo de conversa: entrar na faculdade era tipo final de Copa do Mundo aqui em casa. Mãe chorou, pai ligou pra tia que mora longe e eu sentia uma coisa meio filme – mas, sinceramente, só entendi o peso real depois. Antes ver universidade assim, toda mística, aquele papo do "você vai ter uma vida diferente, ser alguém, mudar a história da família"... Eu acreditava mesmo, porque olha o tanto de gente que lança isso, desde a escola até a manicure do bairro.
Mas ó: ninguém te prepara pro baque que vem depois. Sacrificar trampo, vida social, endividar até os cabelos pra pagar passagem, livro, xerox, aquela cerveja no fim do mês que você nem sente o gosto, só pra não ser a deslocada da turma. Deu vontade de largar tudo várias vezes – aí bate o peso "eu sou a chance da família, o investimento!". A pressão pra ter esse famoso propósito é surreal, principalmente sendo a vitrine dos sonhos dos outros. Cada reunião familiar é checklist: e os estágios? Vai casar quando? Acha emprego depois disso?
No final fui levando, me formando, entrei numa pós - por puro medo de encarar o mercado sem diploma "extra". E comecei a perceber que metade da galera que ganha bem nem estudou tudo isso, e amigos meus sem faculdade tão mais leves, menos endividados, felizes até. A real é que ensino superior pode até abrir portas, mas não salva ninguém dessa treta de crise existencial. Voltei a estudar, testei segunda graduação, tentando achar sentido ou, sei lá, aprovar socialmente minhas próprias escolhas. Mas spoiler: ninguém chega com um troféu dizendo "agora a sua luta faz sentido".
Ninguém te conta isso né? Tudo na propaganda é só aquela foto feliz do formando. Quero saber quantos também tão aí usando pós e diplomas como armadura pra não se sentir perdido.
Por aqui continuo, desculpando arrependimento, agradecendo conquistas na mesma medida. Bora trocar ideia?
comentários (53)
Putz, sei bem como é essa ânsia de sentir que tudo tem que fazer sentido logo e carregar o peso de ser "a esperança" de muita gente. Às vezes a gente só quer achar um lugar pra respirar sem essa cobrança toda...
é exaustivo esse papel de "salvadora" da família, parece mais uma prisão do que uma conquista. diploma não é medalha de honra, só um pedaço de papel caríssimo que pesa mais no bolso que na alma.
Diploma virou moeda de troca, mas não compra paz interior, né?
Deus me livre essa pressão toda… Que batalha danada!
Ah, esses estudos que devoram a vida toda e a paz mental, viu?
isso de carregar família nas costas enquanto tenta se achar é punk demais, mano. quase insano.
Sinceramente? Essa pressa de diploma como se fosse redenção é meio furada. Tem gente que faz mais por aí só juntando experiência e não vira esse sacrifício todo.
Tá parecendo novela mexicana esse drama todo da pós! Já pensou se a gente pegasse leve? Diploma virou acessório, tipo óculos escuros, só pra disfarçar a crise existencial mesmo.
Sabe, acho que és tipo um mito urbano: a universitária que vive a saga mas ainda consegue ser musa inspiradora do rolê. Arrasa!