tudo que sei hoje foi a partir do youtube (e memes da minha avó)
Sou de uma geração meio no limbo: cresci com TV, rádio e jornal de papel, mas quando dei por mim já era mais fácil pesquisar no Google do que perguntar pra um adulto. E hoje, sinceramente, metade do que eu realmente sei aprendi fuçando o YouTube, não na escola nem na universidade (H/26, Salvador). Sei lá se é preguiça, se é o algoritmo, ou se a vida virou um tutorial eterno, mas é a real.
O mais doido dessa história é ver minha avó, Dona Lourdes, 79, explorando o WhatsApp com mais fúria do que eu já estive em qualquer jogo online. Era uma senhora que, no máximo, arranhava um telefone fixo e que agora manda figurinhas, memes anti-bolsonarista e vídeos de receitas a rodo. Semana passada ela perguntou se já ouvi falar do "canal do menino do fogão", depois me enviou 5 TikToks de papagaio xingando político. Às vezes, penso que ela educa o grupo de família melhor do que muito professor por aí.
Sobre educação "formal": não quero dizer que a universidade não serve pra nada. Serve, claro, principalmente se precisa diploma pra trabalhar. Mas ser sincero: aprendi 80% do que uso hoje em tutoriais random do YouTube, fóruns ou vendo gente fazer asneira em live. Editar vídeo? Tutorial do gringo. Sair da encrenca do Excel? Canal de um mineiro que nem ensina direito mas tem uns macetes incríveis. História de arte? Playlist do tal museu mexicano. O resto, a minha avó resolve com print de memes.
Aliás, falando em museus, vou abrir aqui uma pet peeve: por que museu cobra ingresso? Não têm vergonha? Me lembrei agora do dia que foi gratuita a entrada do MASP e parecia micareta no carnaval. O povo comparece – só falta realmente permitir que seja todo dia. Sinceramente, cultura devia ser de graça e universal, tipo internet em praça pública e wi-fi de café – ou pelo menos, memes de WhatsApp.
E videogame, bicho. Lembro quando gaming era coisa de "moleque fechado no quarto", agora vejo canal de jogo com público de velho, clipe de gameplay viral igual vídeo de gato e, honestamente, nunca vi tanto conteúdo educativo disfarçado de diversão fortniteiana. Minha avó, inclusive, já comentou numa live pensando que ia falar direto com o neto, porque viu "meu nome" no chat. Essa mistura de tecnologias velhas e novas dá no que? Tenho, na mesma semana, um alerta sobre exposição de arte no CCBB e um meme da velha do caixão no grupo da família.
O bom do YouTube, dessas lives de game e do próprio WhatsApp (mesmo sendo terra de fake news): democratizam muito o acesso. Se quero aprender algo diferente – instalar tomada, fazer feijoada, entender barroco ou jogar Mario Kart de um jeito cabuloso – tudo está lá dentro do celular. Muito antes de alguém falar "vamos ao museu" já viajei pelos maiores do planeta sem sair da cama.
E sei que parte da galera torce o nariz, acha que "esse ensino é superficial, menino", que nada se compara ao presencial, mas faça-me o favor. Qualquer um pode virar semi-experto em maquiagem, guitarra, hidráulica, memes. Juro que metade dos artistas contemporâneos de museus provavelmente começou copiando tutorial ou story de TikTok. E tem uma galera que curte games que aprende inglês, lógica e geografia só metendo cara. Ninguém quer admitir mas é verdade.
Agora, a parte caótica: tem coisa que a internet estraga. Muita fake news, boato bizarro, canal automato a arrancar visualização. E fico puto com algoritmo viciar velho e adolescente igual, tipo minha avó repassando besteira, ou minha prima maratonando "theories" de Five Nights at Freddy’s. Porém, mesmo assim, não troco esse acesso free – e quero museu assim também! Educação, cultura, memes, tudo a um clique.
Imagina ir ao museu pra ficar apenas vendo placa "não pode fotografar". Que chato. Quero sala pra experimentar arte, post-it pra deixar meme, monitor pra testar gaming clássico. E minha avó, com toda a idade dela, seria das primeiras a criar GIF do Mondrian baiano.
Resumindo: ensino está na palma da mão, seja pelos reels da Dona Lourdes, seja pelos vídeos de speedrun, seja por live pirateada de visita ao Louvre. Tô cansado dessa ideia de cultura ser só saber de tabela, livro ou senha caríssima de aluno. É meme, é tutorial, é acesso gratuito. E se minha avó consegue aprender (e mandar meme antes de todo mundo), qualquer pessoa consegue.
Zerei a semana cada vez que ela descobre um canal novo e pergunta: "É verdade ou é montagem?". Dona Lourdes é mais influencer que muito coach por aí, só digo isso!
comentários (86)
Qdo penso na sua avó e na mistura do digital com o antigo, fico a imaginar q fase incrível tá vivendo essa geração entre mundos. Isso é evolução viva!
Vlw vovó, só falta ela dar aula sobre como ignorar haters no chat kkk
Museu cobrando ingresso? Ah, claro, faz sentido, né? Pagar pra ver obra de arte que tu mesma pintaria em 5 minutos de tédio... 😂 Cultura virou luxo, mas memes são 0800 e ninguém se importa. Viva à democracia do povo que sabe mais do WhatsApp que dos mestres supremos!
Se minha avó manda meme e me chama pra live, tô oficialmente virando velho só de resistência. Ela já tá mais atualizada que muita gente tentando ser "moderna". Quem diria? 😂
quem diria q a Dona Lourdes ia ser mais tech que muita molecada... já tô até vendo ela vir pra live, trollando geral e ensinando a galera a usar print screen direito kkkkkk
Ah sim, aprender 'tudo' no YouTube é igual a virar expert em abrir a geladeira.
Se a tua avó for tão boa nas figurinhas quanto és a escrever posts, és um sortudo!
Qro entender essa vibe da universidade perder espaço pro YouTube, mas será q tamo perdendo o filtro? Aprender com meme é loko demais, né? Meio bizarro tbm...
Meu deus, essa avó merece um canal só dela já! Essa vibe dela achando que conversa com neto na live é ouro puro. Já tô até imaginando um reality "Avós no mundo digital" com memes, confusão e a dúvida eterna: "Cadê o botão de desligar essa porcaria?"