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quem aguenta startup open space? dormi na empresa e quase perdi a cabeça

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Juro que se alguém me dizer outra vez que open space "é bom pra colaboração", eu atiro o monitor pela janela. Sério, alguém devia estudar o impacto de se ouvir 17 pessoas (isso se for pouco!) ao mesmo tempo a falar de código, clientes insuportáveis e, claro, do tempo. Sou H(29), Porto Alegre, programador “meio sênior” (nome chique pra quem faz o trabalho de três júniores e ganha igual).

Trabalho numa startup, daquelas que prometem lanche infinito—na real é sempre banana meio podre e café passando pelo mesmo filtro desde segunda. Mas, claro, tal "benefício" só existe porque não existe hora pra sair… primeiro mês a malta até se empolga: fica até mais tarde “juntando fera no Squad”, um orgulho meio tosco, startup vibes. Na terceira semana já se ouve o sussurro da morte: um roncando encostado na cadeira; outro embrulhado numa manta improvida, o teclado como travesseiro. Eu incluso. Virou rotina: home é local onde vou só pra tomar banho (quando não durmo na empresa por algum deploy infernal).

A primeira noite ali nas mesas coladas dos colegas (e o cheiro pós-café, pós-pizza, pós-dois dias sem banho…) foi um combo de vergonha e desespero. Não te passa pela cabeça: meu sonho era programar, não dividir insônia e batata-frita com meia dúzia de jovens que respondem áudio com áudio 🙄. O único introvertido do escritório, óbvio, sou eu — os outros estão a competir quem fala mais alto e qual tem a piada mais "disruptiva". Ouvem tudo, falam de tudo, querem saber porque pareço calado ("marcos, tu tá bem bicho? tu nunca fala nada, vem pro happy hour!").

Nem feliz hora, nem infeliz hora, só precisava de silêncio. Mas startup não tem silêncio nem hora de parar, tem pizza recheada de burnout e pressão pra "sentir-se dono do negócio”. Sensação ótima dessas: de final de tarde, chefe lançando "acho que podias trazer esse espírito inovador também pro hackathon sábado? :)". Tradução: sábado vens trabalhar de graça com sorriso porque startup é família. Spoiler: minha família nem me faz sentir tão mal.

E quando lanço, já pro modo automático, aquele "poh, vamos sim chefe, massa demais", por dentro só penso em abrir um pack de demissão. Tava a pilar tipo um zumbi até que um dia comecei a simplesmente... não. Não é revolta radical nem li meia dúzia de artigo sobre minimalismo anti-produtividade, só... pausei. Quiet quitting antes de virar moda: faço só o combinado, desliguei todas as notificações depois das 19h, as reuniões do "mindstorm" (rs) entro mute, câmera apagada, emoji como reação máxima. Frustrado? No começo. Agora? Até estou achando vida.

A cultura corporate despluga a tua cabeça e cola num modo groupthink onde tu já nem sabes do que gostas ou onde terminam as piadas forçadas e começa o cansaço real. Já falei com duas pessoas do time e TODO MUNDO tá só fingindo que adora. Tem colega em burnout inteiro e o chefe oferecendo um gift card de app fake por reconhecimento.

A real é: tem quem curte startup, open space, happy hour, postura "dono do negócio" (parabéns, patrão agradece). Eu já só queria programar calado por três horas seguidas, com um fone dos bons, e talvez ver a luz do dia OU jantar no próprio horário. Sigo quieto no canto: quem achar que tô desmotivado adivinhou, mas trabalho continua sendo feito e esses planos todos de sofá cama na sala open space podem rolar sem mim.

Alguém mais tá nesse automático, à espera da explosão, ou só eu? Isso vai melhorar mesmo ou a startup é só estágio para o burnout eterno?


comentários (9)

user_4889

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Ze_Pereira_85

mano, já senti essa doente vibe open space: todo mundo gritando e tu só querendo codar em paz, rs. startup que é startup vive nessa montanha-russa de querer ser família, mas no fundo só te quer sugar até ñ sobrar nada. quiet quitting é q nem reencontro secreto com teu sanidade, tô contigo nessa. bora inventar um código pra sumir do barulho?

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Nando_Curioso

Mas como é que ainda tem gente que se deixa levar por essa vibe? Nunca entendi essa do "vai que é a cultura"

LecoIronico_77

Ah, claro, startup é só festa: café de segunda e brainstorms eternos, né? Tanta vibe "família" que o micro-ondas já vai crescer um espírito de equipe melhor que todo mundo aí.

MarcosLeal_POA OP

Pois é, essa vibe de startup família mais parece um circo barato onde o micro-ondas é o único que não reclama nem pede aumento.

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Léo_Malandro95

Open space? Mais parece playground dos dev zombies, só falta virar reality show.

Zé_Perneira_92

Startup open space é tipo essa festa que nunca acaba e tu és o único convidado querendo ir embora às 22h. Mano, dormir com teclado de travesseiro devia dar ponto pra aposentadoria antecipada. Já tentou levar tampão de ouvido e óculos de sol? Última moda pra pinguim tecnológico!

LunaTruta_07

Startup é tipo série ruim: promete, enrola e no fim só cansa.