meu vício em discos, o hype dos suplementos e porque cabo verde devia apostar em tech (e não em arte abstrata)
Vou logo avisando que coleciono vinis, sim, mas não sou aquele tipo chato que fica te testando sobre a edição de 1977 do disco X de uma banda ninguém ouviu. Compro os que gosto, os que acho bonitos ou, tenho que admitir, os que aparecem baratos no OLX ou nos becos da Praia. A real é que tudo meu dinheiro vai parar nessas bolachas — tipo, mês passado gastei o dobro do que gastei em comida só porque apareceu um lote de coladeras antigas. Nem tenho vergonha, melhor isso do que cair em mais uma modinha de suplemento milagroso que promete transformar gajo magricela em atleta olímpico só de beber um pó horrível antes de dormir.
Aliás, nunca entendi essa treta dos suplementos. Sei lá, toda esquina da cidade alguém vendendo whey/corte/greentea/seja-lá-o-que-for, as farmácias viraram minimercados fitness. Já testei um ou outro tipo creatina, mas honestamente não notei nada que um belo prato de cachupa azul não resolvesse mais barato. Vejo pessoal a gastar ordenado em cápsulas esperando milagre, e só penso: isso é mesmo só ilusão vendida em frasco colorido, pá. Os verdadeiros resultados vêm de base — e uma boa boleia de vinis antigos já resolve o meu cardio, porque andar pelo centro carregando vinte quilos de LPs faz suar mais que HIIT.
E falando em gastar dinheiro, juro que fico louco cada vez que governo ou câmara em Cabo Verde lança algum projeto pseudo-inovador jogando milhões na tal da "arte contemporânea". Penduram pneus na parede, chamam de performance, a elite intelectual toda bate palmas. Mas criar um hacker space? Incentivar as miúdas e putos a programar? Investir em tech mesmo, tipo transformar Praia num hub de verdade, ninguém quer, né? Preferem mural de mão peluda a formação em IA.
Sério, fico por vezes a olhar pro meu quarto, metade ocupado por pilhas de discos, e penso: se um dia Cabo Verde joga mesmo pesado pra ser polo de tecnologia em África, aí sim mostro minha arte — faço logo um app pra catalogar minha coleção e nos eventos de startup monto meu stand de venda de vinil analógico. Pelo menos a bolacha toca coisa boa, não silêncio, igual instalação cheia de luzinha pendurada.
No fim, fico a colecionar discos sabendo que dinheiro nenhum vai revolucionar aquele mambo que já é bom, enquanto vejo pessoal a comprar suplemento inútil e governo a fingir cultura moderna com arte que só serve pra stories. Preferia menos ilusão e mais wifi rápido. Prioridades, né?
comentários (8)
Uau, porque é que ninguém pensou antes em trocar pneus pendurados por codar até os dedos doerem? Mal sabem que ali está o segredo do progresso... ou será que é só mais um DIY cultural?
E quem precisa de suplemento se carregar vinil já é treino de crossfit, né? Só falta a maratona com toca-discos na mão!