toda a gente obcecada com músculos e eu só queria sobreviver ao primeiro encontro
Já perdi a conta às vezes que entrei num ginásio só pra sair de lá mais tenso do que quando entrei. Epa, agora M(28) de Coimbra, decidi que ia levar a sério este negócio de cuidar do corpo, porque entre as newsletters sobre proteína via Instagram e os vídeos dos “personal trainers” do TikTok, alguém quase me convenceu que quem não treina simplesmente não tem salvação nem namoro.
Vou logo direta: vou ao ginásio porque, no fundo, tenho medo de ficar solteira pra sempre nesta vida. Tem aquele cliché de “preciso de malhar pra me sentir bem comigo mesma”, mas honestamente só quero não pagar 14€ por shot de autoestima trôpega cada vez que o algoritmo me esfrega corpos saradíssimos na cara.
Só que, quanto mais vou, mais percebo que a cultura de ginásio tá completamente nuclear — não se fala de desporto, fala-se de aparência, de quantos gramas de whey, de BCAA, e até de manteiga de amendoim com macro. Juro que na recepção do meu ginásio há uma pirâmide tipo altar só de frascos, só falta um poster a dizer 'adora o teu suplemento acima de tudo'. Inclusive já vi gente discutir blend de proteína quase como discussão sobre religião.
Eu já caí nessa — cheguei a comprar cinco caixas daqueles suplementos para secar a gordura sem nunca entender se aquilo funcionava. Alguém percebe para que servem todos aqueles pós e comprimidos ou é só placebo caro? Caguei para tudo estes últimos meses e sem substituir as refeições por shakes milagrosos… Adivinha: continuei igual, menos inchada de dívida pelo menos.
O mais irónico é: treino quase TODOS os dias, entrei no mood que supostamente era para sentir-me renovadíssima, mas depois parece que a energia evaporou e o cansaço ficou. Fico olhando para o feed das influencers fitness, todo o selfie no espelho do balneário, e tudo parece fácil pra elas. Eu mal consigo esticar a perna sentada, minhas costas estalam mais alto que coluna de idoso.
E se acham que toda esta tentativa de “melhorar” corpo resolveu meus problemas amorosos, senta aí. Vou fazer ranking dos meus dates pós-ginásio (spoiler: nada mudou):
- O Personal Trainer (sim, achei que ia sair dali com desconto nos exercícios, saí foi com palestra de keto e ameaça de pacote treinos)
- O Rapaz do CrossFit (me obrigou a ir ver aula, tive crise existencial às 18h porque fui incapaz de fazer um burpee decente. Inventei claustrofobia e fugi do box)
- O Nutricionista Fit (me levou pra jantar, não pediu sobremesa. Nem vinho. No fim queria dividir a conta de um carpaccio de abobrinha 🙃)
- O Engenheiro que só fala de suplementação (gente boa, mas a cada dois minutos tinha que ir à casa de banho "tomar creatina de 3 horas em 3 horas”— e depois esperava beijo sem bafo de whey, né)
- O Normal (saímos, comemos pizza sem chamar-lhe cheat meal. Épico. Pena que viajou pra longe logo depois…)
Honestamente, toda essa saga só provou duas coisas: 1) Treinar não resolve solidão; 2) A cultura do “fitness lifestyle” serve é pra alimentar as marcas e a insegurança, não nossas endorfinas.
Alguém mais cansada deste ciclo ou sou só eu que não aguento mais falar de proteína antes das 10h da manhã?
comentários (6)
Survive ao ginásio, mas sobrevivei a tipo 79 tipos de treinos e dietas que só malham a paciência! Se amor dependesse de suplemento, eu tava fodido já.
Parece que estamos sempre à procura do elixir pra felicidade numa pilha de pesos e pós milagrosos, quando às vezes o que falta mesmo é aprender a conviver com nossa própria imperfeição e não viver refém do que os outros impõem como padrão ideal.
Treinar só pra não ficar solteira? Miga, a maior maratona é essa mesmo, e fitness eu digo: melhor maratona é a do sofá com uma pizza na mão. Suplementos? Só o placebo da paciência pra aturar essa cultura de riqueza da proteína!
Ginásio esses tempos é tipo igreja das proteínas: crê quem quer, mas o cardio da alma continua falhando.