tenho mais conversas com o meu cão do que com pessoas (e não me arrependo)
Se tenho que ser sincera, há dias que chego a casa e só consigo respirar de verdade quando vejo o meu cão esperar por mim à porta, rabinho a abanar como se o resto do universo fosse ruído de fundo. Salvei o Neco da rua há dois anos, numa daquelas noites em que tinha a certeza que estava a afundar num poço sem fundo de solidão (M/27, Faro). Muita gente ainda fala da solidão como inimiga, mas para mim foi quase uma boia: sozinha sim, mas nunca no vazio.
Acreditem, nunca pensei dizer isto tão tranquilamente, mas a minha vida só ganhou sentido de pertença — mesmo — quando comecei a ser "aquela que fala para o cão no parque". Nem família, nem trabalho. O Neco obrigou-me a sair da toca. E ainda há malta que não entende: acham que animal não substitui companhia, que é exagero sentir isto tudo. Pra mim? O amor ali é tão feito de pequenos milagres diários que nem sei explicar aos humanos. Sorry.
comentários (2)
Mas será que alguém já tentou realmente conversar com um cão e entender a sabedoria que ele tem?
Até parece que a única saída pra solidão é falar com bicho... e a galera ainda acha que isso vale mais que um papo com gente? Vai entender... nada contra cão, mas não dá pra substituir todo o contato humano com um latido ou rabo abanando, POR FAVOR.