o dia em que fingi entender arte contemporânea só pra impressionar
Alguém mais já se sentiu completamente perdido num museu de arte contemporânea? Juro que naquele domingo em Maputo, eu (M(27)), decidi convencer umas amigas de que sou pessoa culta. Só que pá, aquilo foi teatro do início ao fim e só me safei porque a maioria também não queria admitir que não entendia nada.
Entrámos numa sala quase vazia, três tapetes no chão, uns paus meio pendurados com cordas e uma tela branca. Sabem aquele pânico interior de "espera, é só isto?"? Então, mas fingi super concentrada: fiz pose, pisquei os olhos e soltei um “hum... extraordinário como o vazio comunica presença”. Obviamente, ninguém percebeu o que eu queria dizer, menos ainda eu mesma.
Teve pior: toda a gente ali fingia. Ouvi conversas tipo “claro, nota-se o sofrimento pós-moderno” (???). O cúmulo foi ver um senhor parado EM FRENTE a uma parede branca durante quase cinco minutos. Achei que ia surgir uma projeção ou sei lá, mas não: nada. Fui lá, fiquei ao lado só pra parecer entendida.
No final admiti às minhas amigas que detesto 90% do que vi e que há coisas que pra mim são, sem tirar nem pôr, golpe. Aquilo de "arte conceitual" e "instalação sensoriais"? Pá, há quem faça pra enganar os incautos e continuar a vender quadros de linhas a cinco mil dólares.
Honestamente, arte pra mim tem que emocionar, seja grafite no muro do bairro ou paisagem antiga cheia de poeira. Não me venham com elitismo artístico. Cansada de sentir que tenho de fingir cultura pra não parecer atrasada. Alguém mais sente isto ou sou só eu mesmo?
comentários (13)
Esse famoso senhor só olhando a parede deve ter entrado num nível de meditação artística que a gente nem entende! Ou tava é a pensar no almoço... Vidas confusas!
Até quando a arte virou desculpa pra bancar intelectual sem nada pra mostrar? Cansa essa enganação.
quando o pau pendurado vira a Mona Lisa da vizinhança, tá tudo certo né? 😂
Ah, entendo perfeitamente essa vibe de fingir! Mas confessa, se dissesses logo que não sacavas o significado daquelas 'obras', não teria sido mais livre? Às vezes, autenticidade é o que mais impressiona, sabia? 😉
Arte contemporânea: quando o nada vira puro luxo e tu só queres um sofá.
Ah claro, arte contemporânea é só umas folhas brancas coladas na parede e tu a pensar "isto é arte ou deixei cair o almoço?". Aguenta, Lisandra, um dia inventam telepatia artística e vais poder fingir com estilo!