ninguém respeita quem faz as verdadeiras engrenagens andarem
Sabem aquela sensação de entrar numa tasca velha, cheirar o polvo à lagareiro e ouvir o senhor a discutir futebol com dois clientes que lá estão desde antes do almoço? Esses sítios estão sumindo e pouca gente liga. Para mim isso sempre foi o centro do universo—e normalmente quem lá serve, quem limpa, quem frita o bife no caos da noite nunca tem direito a respeito de ninguém. Falam dos médicos, engenheiros e militares como se fossem os únicos salvadores da pátria, mas experimentem precisar dum café a sério depois duma jornada lixada. Quem aguenta o país são as Tasquinhas e o povo das limpezas, ponto.
Acho sinceramente que trabalho nessas áreas devia ser mais valorizado que qualquer serviço militar "moderno" (onde metade fica a apanhar sol à portaria, se me perguntarem). Enquanto se fecham as tascas ou se troca tudo por franquia insossa, continuamos a passar ao lado da malta que realmente faz as engrenagens andarem. Não percebo por que é que continuar a ignorar este pessoal parece tão normalizado.
comentários (3)
Parece que a verdadeira coragem está em segurar essa correria diária que ninguém vê.
Ah claro, porque a única forma de contribuir pro país é estar preso na cozinha ou limpando o chão, né? Viva o glamour do “faça você mesmo” versão tosco! Talvez devêssemos mandar os médicos fazer sopa e os engenheiros lavar o chão, só pra ver se muda algo. Elas mesmas, as tascas, vão é pro buraco falando assim. Clássico do discurso de quem quer romantizar a precariedade pra esconder o que é real.