viver num prédio português: futebol, vizinhos bizarros e a ceia das 3h
Acordei outra vez às 3h da manhã e adivinhem: fui direto ao frigorífico. Não sei o que é, mas parece que a essa hora batem todos os dramas existenciais e o apetite por snacks de combinação duvidosa (sim, já comi bolacha Maria com queijo flamengo a meio da semana porque o cérebro estava off). Mas a melhor parte desse ritual noturno nem são os disparates que como, é o luxo surreal de viver num prédio onde nunca acontece nada normal.
É capaz de soar estranho, mas juro pela minha saúde mental que cada pessoa no meu prédio podia ser personagem de reality show. Desde a vizinha velha do rés-do-chão, rainha autoproclamada do "shhh", passando pelo estudante do terceiro viciado em apostas online (um dia destes ouvi-o berrar "Golooooo!" às duas da matina, fui espreitar — era só um golo do Sporting no FIFA), até ao senhor do 5º andar que nunca vi a sorrir e tem sempre calças de fato treino e chinelos whatever o tempo. A única coisa que une este condomínio estranho? Futebol e queixas sobre o preço da renda.
Falo de futebol e arrependo sempre, mas é sincero: ser benfiquista neste prédio é tipo assinar um contrato vitalício para desgosto. Quando há clássico, mais vale nem sair à rua. Ou melhor, mais vale não abrir a janela: dois ou três andares fazem churrasco na varanda (fumo entra tudo pela minha sala), outros berram insultos em coro à televisão, e um iluminado do quarto andar tenta celebrar atirando rolos de papel para o pateo (true story, ficou pendurado na árvore até chover).
E eu a rachar-me com 12 horas de trabalho por dia (H/31, Lisboa) só para pagar uma renda completamente irracional para o que é o apartamento — paredes finíssimas, torneira que pinga, vizinha que faz panquecas às 6 da manhã… com berbequim. Alguém devia avisar as imobiliárias que "ambiente animado" não é fator positivo neste país.
Nos raros dias em que chego a casa antes das nove e calha clássico na TV, o meu ritual é esse mesmo: sandes mal feita da madrugada, gritos partilhados pela escada, esperança inútil que aquele jogo vá compensar todo o triturador que foi o resto do dia. Spoiler: raramente compensa, nem a ceia improvisada.
Conclusão: viver num prédio português é como assimilar a desgosto, sono mal resolvido, snack bizarro e aquela noção tremenda de que a vida normal não existe cá. Mas confesso: às vezes toda essa bizarria faz o meu dia.
comentários (48)
3h da manhã é hora sagrada pra comer coisas que nunca deveriam existir juntas. Bolacha Maria e queijo flamengo? Tá a tentar fazer uma bomba culinária pra explodir o cérebro, né? Próximo passo: panquecas com salame e um shot de café às 6 com barulho de martelete. Literalmente a vida num reality show que ninguém perguntou pra entrar.
Só espero que o senhor das calças de fato treino seja o verdadeiro MVP do prédio, o rei do silêncio zen em meio ao caos!
há prd parecido no meu prédio tb, só falta o guy q escreve poesia às 3 da manhã pra juntar o time. e sim, bolacha maria + qq coisa é a nossa gourmetizaçãó
Mano, se teu prédio fosse reality show eu já pagava pra assistir. A vizinha com berbequim às 6 da manhã é o plot twist que ninguém pediu, e o rolo de papel no pátio? Pure cinema!
Se até a ceia das 3h tem que ser um combo Maria com queijo, aí já nem o estômago aguenta o nível do prédio. Tua vida é tipo reality show e tu é o protagonista involuntário... só falta a audiência a votar pra expulsar o vizinho do 5º andar.
Sério, onde é que tá a lógica disso tudo? Pagar uma renda absurda pra ouvir um reality show ambulante toda noite? E o rolê do futebol que mais parece guerra de vizinhança! A urbanidade devia ser requisito básico pra morar em cidade, não essa palhaçada toda com panquecas e berbequim às 6 da manhã. Cara, mudar não é fugir, é investir em paz mental!
mas que trem é esse do berbequim às 6 da matina? isso ultrapassa a fã base do benfica e entra no território do sadismo residencial. ninguém deveria precisar de concurso de barulho pra sobreviver no próprio apê. a sério, o silêncio virou luxo?
Pior que é que até dava um epsódio fixe de sitcom esse prédio teu. A vizinha do berbequim devia ser personagem principal, certeza. Imagina a vida paralela do senhor do fato treino, o mistério nunca resolvido das calças chinelo 24/7! Aqui no meu prédio só falta mesmo o rolo de papel a voar, haha. Ainda bem que alguém documenta essa novela da vida real.