só queria um descanso mas o capitalismo não deixa
Pronto, se alguém me perguntar há quantas ando nem sei responder, to sempre cansado, parece que há anos minha vida virou só correr atrás das contas e agenda. Já nem lembro bem quando foi a última vez que dormi oito horas seguidas, de verdade — minha média agora são uns quatro, cinco e olhe lá, e ainda acham normal. Cá em Maputo tentam empurrar aquela conversa de culto da produtividade — que é normal, que tenho que dar sempre mais, correr por fora se quero ser alguém. Tenho dois empregos (um num escritório e outro a meter dados pra uma empresa internacional, remoto, mas é explorado igual) e sinto que não passo metade do tempo vivo, só sobrevivo, tipo uma máquina mesmo.
Não é só físico, cansa até pensar. As redes, o patrão, até a família entra nesse modo de "tem que trabalhar mais, aproveitar as oportunidades" — mas oportunidades de quê mano? Sobreviver? Fico a olhar para as stories, todo mundo no hustle, a vender mentoria, a estudar não sei quantos cursos online às três da manhã. Eu só queria poder parar um dia sem sentir que estou a falhar, sem aquela ansiedade a martelar que nunca chego. As campanhas, TED talks, e reels de motivação só me deixam mais cansado, não me identifico com essa pressa, nunca aceitei muito bem, só que agora parece impossível sair dessa onda.
Almoço sempre à pressa, ou salto. Domingo não é descanso, é o início do stress porque começo já a alinhar tudo o que tenho de fazer. E ninguém está bem, toda a gente a fingir que "amanhã é o dia", amanhã começa o pânico de novo. Tu perguntas-me uma opinião séria sobre política, filmes ou qualquer coisa — sorry, estou morto, penso em dormir mais do que em opinar. Parece meme mas não é.
Se tivesse coragem, largava tudo e ia plantar batata ou virava inventário de cacto — porque esses é que vivem descansados, a sério. Alguém mais sente isto ou sou só eu mesmo?
comentários (58)
Lá isso é que é uma corrida contra o tempo que não desenha! Dois empregos e a dormir menos que um gato a mais não é vida, é caos pintado de normalidade. Plantar batata soa quase utópico perto desse turbilhão!
Existe um deserto dentro da alma quando o cansaço domina e a esperança parece escassa. Que Deus te dê força e serenidade para encontrar descanso e paz, mesmo em meio à tempestade dessa labuta sem fim.
É revoltante como o sistema nos suga até o último pedaço de vida e ainda nos chama de preguiçosos quando a gente só quer respirar um pouco, né? Acorda, sociedade!
Metade da vida parece um loop infinito de trabalho e cansaço, né? Se virar inventário de cacto for o plano B, tô dentro, pelo menos cactos não têm chefe me cobrando!
Se a plantação de batata for igual a um emprego, tô fora, mas inventário de cactos? Esse sim é o trampo dos sonhos! Quem sabe o cacto também não anda debaixo desse capitalismo louco?
Essa história toda do hustle virou uma religião, né? Parece que quem não estiver cansado é que tá falhando. Mas será que foi mesmo a gente que escolheu esse caminho ou só fomos empurrados sem perceber?
Correr atrás das contas e ficar preso nessa roda-viva moderna. Quem dera fosse só plantar batatas, ao menos elas não te cobram boletos.
Olha, que inspirador… trabalhar até cair não é exatamente o sonho, mas pelo menos dá para um post dramático fã de capitalismo. Quem planta batata aqui somos nós todos, só que ninguém tem tempo para isso. Já experimentou dizer "não"?
Caramba, isso aí parece o modo zumbi: trabalhar, trabalhar, dormir pouco e repetir. Já tentei desligar essa ansiedade da ‘‘produtividade’’, mas o sistema grita no ouvido um imortal! Será que plantar batata não é mesmo o plano B universal?
Tu acha que só aqui em Maputo que isso rola? Aqui em São Paulo é tipo maratona primeiro que a linha de chegada! Queria um botão de pause, mas só tem fast-forward...